Pensar nem sempre é estar doente dos olhos

O maravilhoso heterônimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, diz em um dos poemas que amamos que " pensar é estar doente dos olhos", porque ele quer que seus leitores se ponham a sentir o mundo. Mas, como hoje poucas pessoas fazem qualquer uma das duas coisas ( pensar e sentir), permitimo-nos dizer que sentir é fundamental, mas pensar também. Exercite essas duas capacidades: leia mais, viaje mais, converse mais com gente interessante, gaste seu tempo discutindo ideias e não pessoas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sou meio burrinha....

Às vezes, em virtude de eu ser meio burrinha, tenho dificuldade de compreender algumas coisas, portanto estou pedindo ajuda: alguém pode me explicar por que, mesmo depois de todos os escândalos no DNIT, o governo federal acabou de liberar 500 milhões em verbas extras para obras justamente em estados investigados por desvios?????
Eu sou a única que fica indignada com isso?
Dificuldade número 2: CPMF de volta, depois de todas as promessas?????? Eu já assumi aqui que, embora não tenha votado nela, até agora estou gostando do governo Dilma, mas a presidente precisa garantir que esta barbárie da CPMF não retorne: NÃO precisamos de mais impostos, precisamos de HONESTIDADE, TRANSPARÊNCIA E BOM DESTINO DOS RECURSOS PÚBLICOS, isso, certamente, resolveria boa parte das mazelas da saúde sem a necessidade de mais cobranças. Já trabalhamos 4 meses do ano só para pagar impostos, não é possível que isso não seja suficiente!
Difuldade número 3: onde foram parar as notícias sobre o escândalo envolvendo a ministra chefe da Casa Civil e o marudo dela? Ouvi na CBN uma entrevista com ela tentando explicar o inexplicável. Embora o Sardenberg tenha feito de tudo para fazê-la admitir que ser despedida da Itaipu com direito a indenização(quando, na verdade, foi ela quem pediu demissão) era antiético, ela saiu com evasivas. Se o governo está realmente limpando a casa, como dizem, então a faxina tem de ser geral. É preciso cortar na própria carne.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O ciume lançou sua flecha preta....

Tenho visto estes dias nos jornais notícias sobre um assunto que me deixou intrigada: Dilma não quer ouvir elogios demasiados a seu governo. Isso mesmo: NÃO QUER ELOGIOS! É a primeira vez que vejo isso na história desse país ( kkkk). Porém, logo compreendi o que estava acontecendo: o ex-presidente Luis Inácio Aparecidinho Mimado Egocêntrico Lula da Silva ficou de biquinho, magoadinho porque a criatura está fazendo mais sucesso do que o criador, não é curioso? Lula escolheu Dilma como sucessora, pensavam todos, porque confiava na capacidade administrativa dela ( coisa que ele próprio nunca teve), mas vejam só, ele queria mesmo era um sucessor impopular, que não suplantasse seu carisma. Ora faça-me um favor, o Brasil precisa de um(a) presidente competente e não de um galã ou queridinho do povo que seja populista. Até agora, aliás, eu estou pagando minha língua e espero pagar muito mais. Sim, porque todos sabem que não votei na Dilma porque não gosto dos governos do PT de um modo geral ( aqui em Maringá tinha sido péssimo e o de Lula dispensa cometários), entretanto até agora ela tem me surpreendido para o bem e eu quero mais é ter mesmo de pagar a minha língua, porque se isso acontecer é sinal de que o país tomou o rumo certo após 8 anos de viagens, palavrório, metáforas desgastadas sobre futebol e muitos escândalos de corrupção não resolvidos.
O que me espanta, diante do ciuminho de Lula, é pensar que ele pode ter imaginado colocar Dilma na presidência só para poder mandar nela e continuar sendo o cara. Até eu que  não sou do PT percebi, já na época da campanha, que a presidente poderia ter qualquer defeito, mas certamente não seria submissa: o histórico dela já demosntrava que era alguém de opinião forte. É, parafraseando Geraldo Azevedo:  O ciume lançou sua flecha preta e se viu ferido justo na garganta, quem nem alegre, nem triste, nem poeta, nem presidente, entre São Paulo e Brasília não mais encanta!

domingo, 7 de agosto de 2011

A arte de não dizer

Há semanas tento escrever um post que não sai. Palavra presa na garganta, recôndita em algum canto escuro do nada.Tenho pensado muito sobre o não dizer, sobre o calar proposital, vácuo de palavra que permite aos pensamentos se ordenarem. O problema é que o vazio verbal insiste em me perseguir: será que já gastei todas palavras a serem escritas? Será que o léxico que me sobrou é apenas uma junção non sense do nada? Nesse caso eu poderia pegar um jornal e uma tesoura e fazer um poema dadaísta, porém isso é gasto, vanguarda datada presa ao seu tempo. Bem, se não sou Verlaine, Mallarmé, Rosa, Lispector, Pessoa ou Espanca, se minhas palavras inúteis estão surradas - jeans velho esperando o dia da pescaria no fundo do armário - só me resta o consolo nas palavras de Emily Dickinson: "Uma palavra morre/quando é dita/dir-se-ia/ mas eu digo:/ ela apenas vive nesse dia." Tomara que ela tenha razão.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Reforma Política Urgente!

Acabo de ler no site de O Globo:"O Senado terá, com a morte de Itamar Franco e a possível posse de José Perrella , quase um quinto dos seus parlamentares em exercício "sem voto". Ao todo, dos 81 senadores, 15 parlamentares (18,5% do total) são suplentes que assumiram ou vão ocupar vaga na Casa ainda em 2011. Os motivos das substituições são variados, mas a maioria ocorreu quando os senadores renunciaram para disputar o cargo de governador (5 casos) ou pediram afastamento para chefiar um ministério (4 casos)." 
Isso é simplesmente vergonhoso! Já passou da hora de haver uma reforma polítca que, entre outras coisas, acabe com esses suplentes nomeados por partidos, afinal quando votamos em um senador quantas vezes vemos divulgados os nomes dos suplentes? Quem são eles? Por que foram escolhidos? O certo seria que a cadeira deixada vaga, por qualquer motivo que seja, fosse ocupada pelo senador que obtivera mais votos na sequência dos que foram eleitos, ou seja, se formaria uma espécie de "lista de espera para segunda chamada."
Além disso, é fundamental que a reforma polítca atinja também os municípios e estados. Aqui em Maringá, por exemplo, já que a lei teoricamente permite, os nossos ilustres vereadores estão querendo aumentar novamente o número de membros na Câmara de 15 para 21. A pergunta é para quê? O que têm feito os 15 vereadores que já existem?

 A verdade é que nossos políticos, de uma forma geral ( salvo raríssimas exceções) são pouco atuantes, muito discursivos e demasiadamente interessados nas benesse advindas de seus cargos. Resultado prático de seu trabalho vemos pouco, porém pedidos de aumentos de verbas, aumento de cargos comissionados, nepotismo e impunidade vemos muito. O que me espanta é que, apesar disso tudo, muitas pessoas ainda têm coragem de dizer que não querem saber de polítca. Ora, se com alguns cuidando muita "palhaçada" já acontece ( Tiririca Deputado e lutando pela Edução, vejam só o paradoxo) imaginem se abríssemos mão. O que precisamos é de voto facultativo, voto distrital misto, fim da suplência como está, redução de cargos comissionados e muita, mas muita, fiscalização popular para ver se este "País do futuro" se transforma em nação do presente algum dia.



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Qual a extensão da ignorância e do preconceito

Desde que o STF aprovou a união civil entre pessoas do mesmo sexo tenho ouvido toda a sorte de barbaridades sobre a aprovação da lei . Compreendo que muitas pessoas sejam contra a lei por motivos religiosos, mas não aceito que tais motivos sejam excusa para atos intolerantes, homofóbicos e preconceituosos, afinal os gays querem apensa garantir direitos que já são concedidos aos heteros. Primeiramente, aos donso da verdade e da religião ( que pensam que só eles serão salvos) é preciso lembrar que Jesus Cristo tomou como seu principal mandamento "amai-vos uns aos outros como eu vos amei", então, para os que se dizem tão cristãos seria razoável pensar que discriminar o outro por sua orientação sexual não é algo Cristão. Mas a bíblia condena o homossexualismo, diriam os mais afoitos. É verdade, mas a mesma bíblia também condena usar o nome de Cristo em vão ou para tirar proveito próprio, coisa que temos visto frequentemente em igrejas de várias orientações. De mais a mais, os tais preconceituosos, se leem mesmo a bíblia deveriam saber que no Evangelho de São Lucas está escrito: "Não julgueis para não ser julgado; não condeneis para não ser condenado" e "Mais vale um pecador arrependido do que 99 justos que adentrem o reino dos céus" e mais, Jesus Cristo, diante do iminente apedrejamento de Maria Madalena proclamou: " aquele que dentre vós não tendes um pecado que atire a primeira pedra." Acho curioso como esses religiosos fervorosos se acham no direito de serem mais realistas que o rei, sim porque se Jesus, em pessoa, perdoaria qualquer ser humano, quem esses humanos pensam que são para condenar alguém? Ainda é bom lembrá-los de que soberba é pecado capital e nada mais soberbo do que se achar o próprio Deus ( o erro de Lúcifer foi esse!).
Em seu maravilhoso conto " A Igreja do Diabo", Machado de Assis nos conta que o Diabo resolveu montar uma igreja na terra, porém antes resolveu comunicar o fato a Deus, imaginando que Ele fosse ficar furioso. Deus, ao contrário, deu apoio ao Diabo. Este, por sua vez, achou que todos iriam para a Igreja dele, porque lá poderiam pecar e mentir à vontade: sua tese era a de que os fiés de Deus tinham mantos de seda com franjas de algodão e por elas( que simbolizam o pecado) ele os pegaria. No início, de fato, a igreja do Diabo lotou, mas com o passar do tempo as pessoas passaram a sair da igreja do diabo e fazer caridade escondidas. Indignado, ele foi falar com Deus para compreender o fato, ao que Deus retrucou: "Os meus fiés têm mantos de seda com franjas de algodão e os seus mantos de algodão com franjas de seda. É a eterna contradição humana." Ou seja, duvido que estes pastores, padres e religiosos fervorosos que apontam agora seus dedinhos para os gays e lésbicas não tenham eles próprios suas franjas de algodão. Fiquei pasmada ao ler no Yahoo hoje que Miriam Rios, ex atriz e  agora deputada, associou gays a pedofilia dizendo: "Imagine que eu contrato um motrista gay e ele resolve bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo porque a lei não permite." Santa ignorânica, dona Miriam, se algum motorista bolinar seu filho ele vai sim ser preso por pedofilia, mas duvido que ele faça isso apenas por ser gay. Pela sua lógica um motorista heterossexual jamais teria coragem de bolinar uma filha sua. Meus Deus, só mesmo o senhor em sua infinita sabedoria e paciência para compreender tanta burrice e tanto preconceito. Espero que dona Miriam e seus comparsas tenham tempo de se arrepender antes do juízo final!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Datas comemorativas: adendo

 Como o post anterior rendeu comentários interessantes, gostaria de completá-lo. Na verdade, gente, concordo com o André sobre o Natal ( embora me sinta depre por motivos pessoais nessa época)porque este é uma festa que tem um sentido religioso, só a olha como comércio quem quer. Já o dia dos namorados, dia das mães, dia dos pais, dia das crianças são datas puramente comerciais, por isso acho que não têm sentido. Acho tenebroso comemoração de dia dos pais e mães nas escolas: o que fazer com quem é órfão? Com aqueles cujos pais abandoram? Ah, você não tem pai, mãe? Então fica aí no cantinho brincando de fantasma! É cruel e quando somos crianças não podemos nos defender dos comentários maldosos alheios. Acho que o Ian está certo em dizer que temos o direito de ser um pouco egoístas quando amamos ( e todos somos mesmo), só não concordo com o bombardeio a que as pessoas são expostas, visto que muitos, sem compreender o real significado do que fazem, endividam-se e apostam nos presentes para resolver problemas existenciais, que apenas serão minorados enquanto o efeito do presente durar. Posso até ser ingênua e sentimentalista, mas ainda prefiro lembranças singelas( bombons, uma comida preferida, um café na cama) que aparecem de supresa, porque assim sabemos que aquela pessoa realmente pensou em nós e não foi compelida a fazê-lo porque as propagandas na tv não param de alerta-la. Que venham os novos comentários. Adoro querelas!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

As datas comemorativas, a frustração e as possibilidades do amor

É curioso como essas datas comemorativas, tais como o Dia dos Namorados, apesar de puramente comerciais, mexem com as pessoas. Desde quarta -feira tenho acompanhado pelo meu Facebook dezenas de posts frustantes, de bons amigos e amigas que, por estarem solteiros temporariamente, têm se sentido deprimidos nestes dias. Alguns, para esconder este fato, desdenham do amor e suas pieguices deliciosas, outros derramam-se em citações tristonhas acerca de amores que se foram.
Amar, meus amigos, é muito mais do que mandar flores ou comprar presentes ( muitas vezes inúteis) forçados por uma data. Sim, porque várias pessoas presenteiam, saem para jantares em que serão mal atendidas, em lugares lotados, apenas porque se sentem coagidas  a fazê-lo. Amar é estar junto no dia a dia, é fazer pequenas delicadezas ao longo de toda a vida - e não apenas no dia 12 de junho- é rir de bobagens, é compartilhar momentos de silêncio e, também, ser compreensivo nas horas em que estamos chatos. Além disso, ter ou não um parceiro é algo que pode ser passageiro e que só diz respeito a cada um de nós. Não gosto de datas comemorativas, justamente, porque elas pressionam as pessoas a se sentirem felizes, realizadas e, quem não está assim naquele momento, sente-se pior, desmerecido. A questão é que devemos tentar ser felizes porque isso faz bem à alma. Preferencialmente devemos ter uma compania porque envelhecer só é muito triste ( e que me desculpem os que têm filhos, não contem com eles, porque mesmo que estejam lá na sua velhice, não poderão oferecer o mesmo amor, carinho e companheirismo de um parceiro).
Diz a lenda de Eros e Psique que o amor é cego, justamente porque está baseado na confiança- ou deveria estar- e na capacidade de os amantes se arriscarem. Na lenda, o deus Eros(cupido) é enviado por sua mãe, Vênus, para flechar Psique e fazê-la se apaixonar por um monstro. Ocorre que Eros acaba de ferindo com a flecha quando a atira, ficando, assim, ele mesmo apaixonado por Psique. Como ele é a personificação do amor, a ele é vedado viver o amor, mas comoa paixão despertada é avassaladora, ele rapta Psique, venda-a e a leva para um castelo longínquo. Ainda vendada ele lhe diz que ela creia nele, que ele a ama muito e que virá ve-la todas as noites, período em que ambos viverão intensamente seu amor. Porém, ela jamais poderá tirar a venda, terá de confiar nele, porque se tentar fazê-lo ele terá de abandoná-la para sempre. Assim eles vivem felizes durante um bom tempo, entretanto as irmãs invejosas de Psique começam a impingir-lhe ideias: dizem que se o parceiro da irmã se esconde é porque deve ser monstruoso e que talvez até a mate um dia. Finalmente, com a dúvida plantada no coração pela inveja das irmãs, Psique resolve trair a promessa que fizera a Eros. Uma noite, quando ele chega no escuro como sempre, ela espera que ele adentre os aposentos e acende uma vela descobrindo, então, que desposara o próprio Deus do Amor e que ele era lindo! Eros, desapontado, ferido, acusa-a de traição e sai errando pelo mundo.
Pois bem, meus queridos amigos, esse mito explica por que devemos confiar em quem amamos e desconfiar daqueles que falam de nossa relação. É bem verdade que o ser humano é imperfeito e às vezes trai e fere, mas isso não é regra ( e também jamais saberemos sem correr o risco). Além do mais, se dividimos nossa vida com alguém porém confiamos mais nos outros do que me nosso parceiro(a), então nossa relação é realmente problemática. Portanto, sugiro que confiem mais, arrisquem-se mais, amem mais. Arrependam-se, se for o caso, apenas de ter vivido intensamente. "O amor tem feito coisas/que até mesmo Deus duvida/já curou desenganados/já fechou tanta ferida/o amor junta os pedaços/quando um coração se quebra/mesmo que seja de aço, mesmo que seja de pedra/fica tão cicatrizado que ninguém diz que é colado." Ivan Lins